17º Congresso Brasileiro de Mastologia: qualidade na grade científica e destaque para o fórum de saúde da mulher

terça-feira, 05 de novembro de 2013

A comissão organizadora do  17º Congresso Brasileiro  de Mastologia

Cerca de 1.200 participantes do 17º Congresso Brasileiro de Mastologia, promoção da Sociedade  Brasileira de Mastologia e da regional mineira da SBM, circulavam pelos corredores do Minascentro, onde ocorreu o evento de 16 a 19 de outubro.  Debates científicos da melhor qualidade, com especialistas brasileiros e do exterior, o Fórum de Saúde da Mulher/parceria com a Secretaria do Estado da Saúde de Minas Gerais, e  exposição de conhecidos laboratórios da área movimentaram aquele centro de convenções, num clima de integração entre todos os presentes.

Para o presidente do congresso e da regional mineira, Dr. João Henrique Penna Reis, “O Congresso Brasileiro de Mastologia foi um grande evento que consumiu muita energia e esforço de um grupo de pessoas muito especiais. Foi um grande prazer ter presidido evento tão relevante como este. No que se propôs, o Congresso atingiu todos seus objetivos. Nosso foco principal foi a qualidade da grade científica, dos palestrantes e das oportunidades de aprendizado e interação que o congressista pode usufruir. Dessa forma, tivemos 12 palestrantes estrangeiros proferindo mais de 40 palestras de nível internacional. Proporcionamos a presença da biblioteca virtual e a tecnologia do Poken disponibilizando um rico material eletrônico com as aulas e os artigos científicos utilizados para confeccionar as palestras. O Poken foi uma inovação tecnológica utilizada pela primeira vez em eventos médicos. Mas, acima de tudo, seu benefício foi de maximizar o aprendizado e a experiência do congressista que compareceu ao evento. Essa foi a diretriz principal da comissão científica. O evento contou também com seções inovadoras como a hot from thepress que buscou identificar as principais publicações que ocorreram nos 6 meses que antecederam ao congresso na área da cirurgia e da oncologia. Outra sessão interessante e que encerrou o congresso foi a “Take home mensage: Lições para o consultório na segunda feira.” Nela, três relatores fizeram uma revisão ampla e objetiva de tudo que foi discutido no congresso e permitiu sintetizar as principais lições e aprendizados de todo o evento. Em fim, o congresso foi muito bem recebido pelos especialistas, especialmente porque seu nível científico foi muito elevado, equivalente aos melhores eventos internacionais.”

Quanto aos palestrantes estrangeiros, procuramos cobrir todas as áreas de interesse do mastologista. Tivemos cirurgiões, radiologistas, oncologistas clínicos e cirurgiões plásticos. Eles cobriram todos os temas mais relevantes e polêmicos que dominam as discussões internacionais relacionadas ao diagnóstico e tratamento do câncer de mama. Os temas mais relevantes foram a cirurgia conservadora da axila, a conduta cirúrgica após quimioterapia neoadjuvante, o valor da ressonância magnética, as melhores práticas para o controle local do câncer de mama, o rastreamento mamográfico, novas drogas para o tratamento adjuvante, a utilização das plataformas de assinatura genética, a definição da extensão das margens cirúrgicas, as técnicas de oncoplástica e o tratamento de tumores infra-centimétricos.

O Presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Carlo Ruiz, demonstrou muito entusiasmo com todas as atividades do congresso, especialmente o Fórum de Saúde da Mulher. Para ele, “eventos como esse, inserido em congressos como o da SBM, é a síntese de tudo que nós precisamos em termos de Saúde Pública. Tudo começa e termina com educação. Eu, como médico, preciso informar o tratamento a muitas mulheres, as maiorias desinformadas, que têm medo do câncer, da morte, do desamparo, do abandono, das perdas, porque são muitas as perdas, quando entendemos o câncer como algo destrutivo, que chega para acabar com você. E isso, muitas vezes, acontece quando a doença está mais avançada. Quando a gente diagnostica inicialmente a ideia é exatamente oposta, ou seja, eu curo muito mais quando diagnostico precocemente, entre 90% e 95% dos casos. Nesses casos, eu mutilo muito menos, uso menos quimioterapia, enfim, eu agrido menos. Então, nós queremos desconstruir a ideia da morte e construir a ideia de vida depois do câncer de mama. Hoje, graças a Deus, são milhares de mulheres sobreviventes desta doença, devido ao trabalho de informação como este que vejo aqui. O Fórum tem o papel de qualificar informação de quem está na ponta, dos agentes de Saúde e das pessoas que trabalham com a saúde e que cuidam especificamente do paciente com câncer de mama. A disseminação do que estamos vendo aqui, traz pra nós o retorno de longo e médio prazo através da educação”.

Indagado sobre o congresso, O Dr. Ruiz respondeu: “Uma grade científica maravilhosa. Nós temos mais de 40 palestras de professores internacionais, discussões em altíssimo nível. Hoje, o nosso congresso brasileiro não deve em absolutamente nada em termos qualidade científica a nenhum congresso de nível internacional. Isso nos enche de orgulho porque vemos o nível de qualificação do profissional nacional. Em um evento como este você tem a oportunidade de trocar informações, congregar com outros especialistas, fazer amigos, solidificar amizades e de se tornar, se ainda não é, um médico de excelência”.

Sobre os desafios à frente de uma entidade expressiva como a Sociedade Brasileira de Mastologia, Ruiz respondeu que “em questão desse desafio, a SBM cresceu muito nos últimos anos. Os mastologistas são mais conhecidos e, consequentemente, a especialidade é mais conhecida. O grande desafio da entidade hoje é a informação, a educação e o dinheiro para conseguir propiciar esse tipo de ação através das campanhas e de inserções na mídia, pois essas iniciativas são multiplicadoras”.

Para o Dr. Ruffo de Freitas Junior, de Goiás, presidente eleito da Sociedade Brasileira de Mastologia, “o 17º Congresso Brasileiro de Mastologiaa, em Belo Horizonte, foi fabuloso. Vejo uma organização esplendorosa, a grade curricular e de apresentações muito boas, bem balanceadas. O participante acompanha desde a parte da epidemiologia até a de reabilitação, ou seja, tem informações para todos os gostos, distribuída de maneira uniforme. Eu estou certo de que este evento é um diferencial pela sua alta qualidade, organização e, principalmente, pelo carinho que o povo mineiro tem dado a todos os palestrantes”.

Sobre os desafios que terá como presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Ruffo de Freiras afirmou que “para mim foi uma honra ter sido eleito hoje, e assumindo tal posto em 01 de Janeiro de 2014. Os desafios são muitos, primeiro a formação de um time que poderá fazer a gestão nos próximos três anos, segundo manter a continuação do que tem sido feito, especialmente nesses últimos três anos de forma tão correta. Outra questão: chegar à melhor interiorização da entidade e, mais do que isso, lutando de forma que a oncoplástica e a reconstrução mamária possam ser experienciadas para a grande maioria da população brasileira, sobretudo a população que usa o Sistema Único de Saúde. Além disso, fazer com que a mamografia tenha qualidade e seja disponível para a vasta maioria da população que ainda não tem acesso. Diante disso, outro desafio será trabalhar com a tentativa de sensibilização do governo para as unidades secundárias, onde o diagnóstico possa ser feito da melhor maneira possível. Se nós conseguirmos isto, estou certo que, em um futuro próximo, a nossa curva de mortalidade de câncer de mama irá diminuir e eu serei a prova viva dessa história”.

O Dr. Roberto Fonseca, conhecido oncologista mineiro, falou no congresso em uma mesa-redonda que trouxe à tona uma discussão sobre novas drogas que deverão ser, no futuro próximo, incorporado ao arsenal terapêutico, já disponível ao tratamento do Câncer de Mama. “Na realidade, o congresso, como um todo, trouxe uma grande contribuição para os colegas participantes com os temas ali discutidos, não somente sobre o tratamento, como também sobre a prevenção e o diagnóstico do câncer de mama que, infelizmente, é uma doença que atinge grande parte das mulheres acima dos 50 anos, principalmente no Brasil. As informações, novos tratamentos, novos procedimentos, com focos no diagnóstico precoce, que foram apresentados, são da maior importância para os profissionais e para a sociedade”.

O Dr. Gilberto Lopes, Coordenador de Oncologia HCor, São Paulo, falou durante o Congresso sobre o Tratamento Neoadjuvante, “que é aquele tratamento que fazemos antes da cirurgia de câncer de mama, para tentar diminuir a mutilação a que as pacientes são submetidas. A ideia é que com a quimioterapia, com os tratamentos alvos, ou com a hormonioterapia, nós possamos diminuir o tamanho do tumor de tal maneira que a mastectomia não seja necessária ou que possamos fazer um tratamento parcial, uma mastectomia parcial da mama, com os melhores resultados cosméticos, sem perder o controle da doença que temos com as cirurgias mais agressivas. A lição para ir para casa hoje é quanto menor o tumor que a gente encontra, maior a possibilidade de cura. Um tumor com mais de cinco centímetros com vários linfonodos cometidos, como aqueles linfáticos encontrados nas axilas, têm 50% ou menos chances de uma cura” destaca, ressaltando que aquelas pacientes que têm tumores com menos de um centímetro, têm entre 90% e 95% de chances de cura. Em outras palavras, quero dizer que é importante que as mulheres a partir dos 40 anos, se conscientizem sobre a importância de se fazer exames de rotina, físicos e mamografias de acordo com a periodicidade do seu Plano de Saúde, ou que SUS permita. O Sistema Único de Saúde hoje, em Minas Gerais, especialmente, tem um programa de encaminhamento à mamografia. O paciente não precisa ver um médico no SUS, ele pode ir ao posto médico e pedir o exame sem ter que esperar meses até conseguir um médico. Então, é extremamente importante que nós médicos conscientizemos a população a fazer seus exames de rotina de rastreamento para detectarmos a doença no estágio mais precoce possível. Do ponto de vista de tratamento do câncer de mama, estamos mais avançados no conceito de medicina individualizada e personalizada. O que isso quer dizer? O que chamamos de câncer de mama é um grupo heterogêneo de doenças, provavelmente dezenas de doenças que, dependendo de suas características patológicas e moleculares, podemos dividi-las em grupos diferentes, que respondem bem à quimioterapia, que estão bem na Hormonioterapia, que respondem bem às características alfas. Hoje precisamos saber qual a característica individual de cada tumor de cada paciente para escolher o melhor tratamento. “Discutindo o hormônio de cada paciente, chegamos aos melhores resultados no controle do câncer e outras doenças”.

De acordo com Sheila Sedieas, Residente de Mastologia em Recife, Pernambuco, “para mim o congresso tem sido muito bom. Como eu estou no último mês da minha residência, toda informação científica que vejo aqui é maravilhosa. No próximo ano, vou fazer a prova de título, então tudo que eu puder aprender e compreender será excelente. Muitos palestrantes bons, palestrantes internacionais e com traduções simultâneas. O evento é muito bem organizado, sendo ótimo para o meu aprendizado”.

Fórum de Saúde da Mulher – Iniciativa muito relevante dos organizadores do congresso. Esta opinião foi compartilhada por vários participantes do evento, que reuniu mastologistas, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, entre outros profissionais, mostrando que uma doença como o câncer de mama exige um atendimento multidisciplinar. Segundo o Secretário de Estado da Saúde de Minas Gerais, Dr. Antônio Jorge de Souza Marques, presente na abertura do Fórum, “a presença da sociedade no Fórum é fundamental, pois os problemas de saúde não se restringem a mais recursos, a mais tecnologia. Eles dependem também da maturação e do compromisso da comunidade, naquilo que é essencial que é a mudança de hábito. As nossas doenças derivam muito de hábitos disfuncionais. Nos hábitos saudáveis encontramos a melhor forma de prevenção. O Fórum de Saúde da Mulher tem um formato importante para a transformação da saúde, pois as opiniões passam a ser balizadas pela ótica de quem vai ao serviço médico e não apenas por quem fornece o serviço. Tudo isso traz ingredientes para aprimoramos a política de saúde”.

Para a médica Rosemar Rahal, professora de Mastologia da Universidade Federal de Goiás, “um evento como este que está sendo coordenado pela Sociedade Brasileira de Mastologia tem uma importância enorme porque o participante deixa de estar em um congresso apenas voltado para o mastologista, para o oncologista, enfim para o médico, e faz uma ampliação desse conhecimento para um outro grupo não valorizado em ações de rastreamento. Isso permite trazer o nutricionista, o fisioterapeuta, o enfermeiro, o educador físico e a população de maneira geral para uma ação muito mais ampla. Todos que estão aqui recebem informação atualizada e podem levar para o seu local de trabalho melhorando a qualidade de vida de muitas pessoas“.

Uma participante muito entusiasmada com o Fórum, Maria Luiza (Malu) Oliveira enfatizou ser fundamental a conscientização do câncer de mama, “pois muita gente ainda não tem essas informações. Eu tive câncer de mama aos 28 anos de idade, há 23 anos. Depois da doença concluí que tenho uma missão, que é divulgar as boas informações como as que estão obtendo aqui. Foi muito difícil para mim naquela época, pois não tínhamos a realidade de agora. Eu me sinto inserida neste Fórum e sei que daqui sairão outros multiplicadores de informações.”.

A psicooncologista  Rita Macieira,  membro da diretoria da regional de São Paulo da Sociedade Brasileira de Psicooncologia e membro do Comitê Interdisciplinar da SBM, afirmou que “aqui encontramos a interdisciplinaridade que estamos pregando há muito tempo.  O poder não está  nas mãos do médico, está  na mão de um todo, do qual faz parte  o paciente, seu familiar, médico, psicólogo, enfermeiro e outros profissionais. Todos juntos atuam para  alcançar a cura da doença.  Não adianta o paciente ter o melhor médico se estiver desistindo da vida, assim como não adianta o paciente viver muito e não encontrar a assistência médica que precisa”.

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